Almirante na Rádio Nacional

Henrique Foréis Domingues (1908–1980), mais conhecido como Almirante, foi uma das personagens mais importantes na história da MPB. Cantor, letrista, radialista, e arquivista prodígio, ele deixava sua marca em tudo o que tocava.

Ainda um rapaz de 21 anos, Almirante fundou o lendário Bando de Tangarás em parceria com Noel Rosa, João de Barro (Braguinha), e outros jovens amigos. O carnaval de 1930 cantou o seu sucesso “Na Pavuna”, cujo disco foi a primeira gravação a utilizar instrumentos de percussão de samba (gravado em 1929, ele rapidamente abriu lugar para a percussão na música popular e tornou possível sambistas negros como Mano Elói Dias e Getúlio Marinho “Amor” gravarem pontos de macumba na venerável Casa Edison).

Como cantor, Almirante lançou muitos sucessos de carnaval durante os anos 30, incluindo “O Orvalho Vem Caindo” (Noel Rosa/Kid Pepe), “Yes, Nós Temos Bananas” e “Touradas em Madri” (ambas de Alberto Ribeiro & João de Barro). Ele era um amigo íntimo de Carmen Miranda e apareceu com ela no palco e em filmes. A partir de 1934, ele voltou sua atenção para o rádio e logo se tornou o programador de rádio mais inovador e popular do Brasil, conhecido como A Maior Patente do Rádio. Em um período de 18 anos, ele transmitiu 20 programas de rádio que serviram como escolas de música para várias gerações de brasileiros e tirou do esquecimento grandes nomes como os de Pixinguinha e Noel Rosa. Um dos programas de Almirante, chamado O Pessoal da Velha Guarda, era transmitido pela Rádio Tupi durante o fim dos anos 40 e início da década de 50. Sua orquestra apresentou uma porção de músicas citadas em Le Boeuf sur le Toit de Milhaud em arranjos de Pixinguinha, que também regia. As músicas eram sempre precedidas de um preâmbulo falado que dava alguma luz sobre suas origens.