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Dia do Músico.

Colegas Músicos

Mais um 22 de novembro, data dedicada pelos católicos a Santa Cecília, nos traz as homenagens e carinho de quem sabe ser padroeira dos músicos aquela mártir da Igreja, que sofreu com a ira do Prefeito Tucius Almachius, de Roma, colérico pelas conversões ao cristianismo por ela promovidas entre Romanos e à sua recusa a prestar veneração a deuses romanos. Cecília foi submetida a martírios ferozes, como imersão em agua fervente, pelo prefeito, tendo sucumbido finalmente sob golpes que a decapitaram. Antes de sua morte, Cecília teria elevado suas orações no dia do seu casamento, que não se concretizou, ao som de instrumentos musicais. Mas a relação que criou a tradição de se dedicar o seu dia aos músicos surgiu da beata Anna Catarina Emmerich, uma religiosa alemã contemplada com revelações sobre a vida de Jesus e Maria no século XIX, e que relatava visões de Santa Cecília “belíssima, com faces rosadas e traços finos e graciosos, tendo junto a si um anjo sob forma de amável jovem, que com ela falava. Vi-a sentada em uma cadeira e os anjos ensinando a tocar um instrumento. Outra vez, Cecília sentada tocando o instrumento e o anjo sustentava em sua frente o rolo de papel para o qual ela olhava." Compositores eruditos como Henry Purcell, Georg Friedrich Händel e Benjamin Britten e populares como Brian Eno, Paul Simon e Dave Grohl dedicaram referências a Santa Cecilia nas suas obras.

Uma outra reflexão pode ser tirada do sofrimento de Santa Cecília e sua resistência resignada e devota, e relacionada à profissão do músico, não somente no revelado pelas visões de Emmerich de uma Santa Cecilia instrumentista, mas também nos valores que ela dedicou à sua fé, como o músico se dedica a seu ofício, à sua arte. Também o martírio do músico vem de uma visão encantada de suas possibilidades, o que cabe muito bem a uma religiosa, mas se mostra um tanto imprudente quando se trata da profissão, da vida real, do reconhecimento em si mesmo de um trabalhador sujeito às legislações e ações políticas, e, naturalmente, à sanha dos que tem como propósito constante exclusivamente o lucro a partir da exploração do trabalho e dizimar os direitos que as legislações, nascidas de lutas históricas, legaram aos trabalhadores. E o que o músico faz, quando sua música enche casas de espetáculo, quando embala declarações de amor no escurinho dos bares, quando alegra famílias em festas, é trabalhar. Um músico publicou numa rede social, um dia antes do início da vigência da lei gerada pela reforma trabalhista, que “a partir de agora, a legislação trabalhista que valia para os músicos passa a valer para todo mundo”, numa bem-humorada auto ironia com o acesso dos músicos à própria legislação trabalhista, muito por descaso dos próprios profissionais. Que a persistência de Santa Cecilia nos inspire na luta por nossos direitos e pelo reconhecimento verdadeiro da nossa profissão, e nos engajemos junto a outros trabalhadores nesse sentido.

Ainda sobre o martírio de Santa Cecília, poderíamos relacionar também a questão da tentativa de imposição de uma crença e negação de outra e, claro, o impiedoso algoz da Santa, Tucius Almachius, que era, da capital romana, prefeito. Bom...Eu disse “prefeito”? Some-se uma visão rasa da importância da cultura, “imposição de uma crença sobre as outras” e a figura política de “Prefeito”...Isso não é atualíssimo e familiar, cariocas?

Presidente

João Bani

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