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Nota de Pesar - Dona Ivone Lara

Hoje nos despedimos da grande compositora Dona Ivone Lara, aos 97 anos recém-completos.

A menina Yvonne, órfã de pai e mãe e criada pelo tio músico, aprendeu desde cedo o gosto pela música e teve como uma de suas mestras a pianista Lucilia Guimarães, esposa de Heitor Villa-Lobos, que imediatamente se encantou com seu timbre e seu lalaiá já tão característico.
Aos 12 anos, compôs seu primeiro samba em parceria com seus primos. A música Tiê era em homenagem ao seu pássaro de estimação.

Já adulta, Dona Ivone entregava suas composições para serem assinadas por seu primo, Mestre Fuleiro, pois naquela época era inviável para uma mulher ser compositora no meio do samba. Ela não se contentava com esse pouco espaço para as mulheres, limitadas a serem pastoras ou baianas nas escolas de samba.

Em 1965, então, ela rompe essa barreira e se torna a primeira mulher a assinar a composição de um samba-enredo.
Composto em parceria com Silas de Oliveira e Bacalhau, "Os cinco bailes da história do Rio" é considerado até hoje um dos mais belos e importantes sambas-enredo da escola Prazer da Serrinha, hoje chamada Império Serrano.

Alem da música, Dona Ivone tinha outra vocação: era enfermeira psiquiátrica, e se dedicou durante 37 anos aos seus pacientes. Ela introduziu a música em seu trabalho de terapia ocupacional, junto com a Dra Nise da Silveira.

Mesmo com todo esse talento, Dona Ivone só vê seu primeiro disco ser gravado aos 49 anos. Isso porque, além de se dedicar intensamente ao seu trabalho como enfermeira junto à Dra Nise, ela também enfrentava as barreiras do machismo dentro da própria casa. Seu marido não via com bons olhos essa sua vontade de estar no ambiente do samba, apesar dele mesmo fazer parte deste ambiente, como presidente do Prazer da Serrinha.

Dona Ivone dedicou-se intensamente à música depois de se aposentar da enfermagem. E estar no palco era o que mais a fazia feliz, e isso era dito por ela em quase todas as entrevistas que dava.

Seu legado será eterno e, aos que ficam, fica também a responsabilidadede ajudar a eternizar esse legado.

Obrigada, Dona Ivone, pela resistência necessária e pela poesia fundamental para a vida!

SindMusi
Por Luciana Jablonski

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