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Informações importante sobre a COVID

Prezados,
Informações sobre a COVID

Sílvio Carlos Andrade da Silva - médico
(Texto não original inspirado em comunicado do grupo Santa Casa)
22/11/2020

1 – SINTOMAS E TRATAMENTO PRECOCE NOS PRIMEIROS DIAS.
A Sociedade Brasileira de Infectologia, e sigo a recomendação, não indica tratamento farmacológico precoce algum para Covid. Nada de cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, nitazoxanida, corticoide, zinco, vitaminas C, D e E, anticoagulante, ozônio por via retal, ou dióxido de cloro, porque todos os estudos clínicos randomizados com grupos-controle pesquisados até o momento não mostraram qualquer benefício e por vezes estes podem causar iatrogenia (graves efeitos colaterais).

Essa orientação está alinhada, com as recomendações das sociedades médicas de vários países - incluindo as de infectologia norte-americana e europeias, do Instituto Nacional de Saúde (NIH) do Departamento de Saúde dos EUA, da Organização Mundial da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Fica a critério de médicos e pacientes utilizarem-se desta recomendação.

Na fase inicial tão somente medicamentos sintomáticos como analgésicos e antitérmicos - paracetamol e/ou dipirona - podem ser usados em pacientes com quadro febril e dores, típicas de viroses.

Os sintomas mais frequentes, além da febre, são tosse seca ou com pouca secreção, dor de garganta, sintomas semelhantes à sinusite, perda de olfato e/ou paladar, cansaço, dores musculares, dor torácica, dor nas costas e falta de ar. Alguns pacientes apresentam sintomas gastrointestinais como perda de apetite, sede, náuseas, dores gastrointestinais e diarreia.

2 - DIAGNÓSTICO E A EVOLUÇÃO DOS PACIENTES.
Todo paciente com quadro de resfriado ou gripal deve ser considerado com Covid e deve ser submetido ao exame de PCR nasal para Covid na 1ª. semana de sintomas. Esse exame tem 80% de sensibilidade, ou seja, 20% são falso-negativo. Porém, se o resultado der Covid positivo, confirma-se o diagnóstico, já que resultados falso-positivos são da ordem de 2%. Ou seja, a especificidade do PCR nasal é de aproximadamente 100%.

A maioria dos pacientes com Covid positivo evoluem sem sintomas ou com sintomas sem complicações e acabam se auto-curando. Isto ocorre em 98-99% dos pacientes com menos de 60 anos sem doenças crônicas e comorbidades. Há exceções?! Claro que há. Afinal não somos máquinas para termos sempre as mesmas respostas reativas.

Os pacientes que evoluem mal são aqueles apresentam fatores de risco que fazem evoluir para uma Síndrome Respiratória Grave. São: os idosos sedentários ou pouco ativos; os doentes pulmonares obstrutivos crônicos; os com doenças cardiovasculares inflamatórias ou obstrutivas; os diabéticos tipo 2; aqueles com sobrepeso que afetam sua fisiologia; os doentes renais crônicos; os imunossuprimidos (deficiência imunológica) por receptação de transplante de órgãos; ou ainda por câncer.

Estes pacientes devem ser acompanhados e monitorados diariamente com coleta de história clínica de agravamento de sintomas (teleatendimento ou presencial), medição de temperatura corpórea – preferencialmente axilar ou oral - e oximetria digital para detectar o nível de oxigenação no sangue. Para outras doenças crônicas, por falta de estudos suficientes, já que a doença é recente entre nós, como: bronquite, asma de qualquer nível, doenças neurovasculares, fibrose cística, hipertensão arterial, gestação, tabagismo, diabetes tipo 1, demência, doenças hepáticas e outros estados de imunossupressão, não são suficientes para incluí-los nos chamados grupos de risco para COVID severa.

3 - A IMPORTÂNCIA EM MONITORAR A OXIGENAÇÃO SANGUÍNEA
Os pacientes que evoluem para pneumonia grave necessitam internação hospitalar, devido a um quadro clínico chamado de hipóxia, isto é, os pulmões não conseguem permutar com o meio ambiente o CO2 e O2. A maioria desses pacientes são aqueles com mais de 60 anos associadas a doenças crônicas como diabetes, insuficiência cardíaca, enfisema pulmonar, imunodepressão, ou insuficiência renal crônica, embora haja relatos de que jovens e adultos se encaixem neste perfil . É fundamental detectar o 1° sinal de hipóxia (falta de oxigênio) através da oximetria digital, pois muitos pacientes têm hipóxia sem se queixarem de falta de ar. A isto definimos como HIPÓXIA SILENCIOSA. Ela pode ser demonstrada pelas imagens tomográficas em vidro esfumaçado, denotando intenso processo inflamatório que impede ou danifica os alvéolos pulmonares, exatamente as áreas de trocas de gases da nossa respiração.

Os pacientes com Covid, neste estágio, devem medir a oximetria digital diariamente principalmente aqueles acima de 60 anos e todos os que têm doenças crônicas que os colocam no grupo de risco para Covid severa.

A pneumonia com hipóxia oferece uma oximetria com saturação de O2 abaixo de 93% e geralmente ocorre entre o 5º e o 9º dia de sintomas na maioria dos pacientes. Ao se detectar esta pneumonia com hipóxia e acidose respiratória, que compromete em média 50% do parênquima pulmonar, o tratamento hospitalar se faz necessário. Com oxigenioterapia não forçada, dexametasona e heparina profiláticos, dependendo da evolução, faz com que a maioria dos pacientes evolua bem e sem necessidade de ventilação mecânica assistida (intubação em UTI).

4 - ISOLAMENTO RESPIRATÓRIO.
Todos pacientes com suspeita de Covid e os com Covid confirmado (exame de PCR nasal positivo para Covid) devem ficar 10 dias em isolamento respiratório domiciliar, isto é, devem ficar preferencialmente sozinhos no quarto, afastados de seus familiares e amigos. Pacientes com Covid severa ou crítica, que são os que se internam em hospital e os imunodeprimidos, devem guardar 20 dias em isolamento respiratório.

NENHUM EXAME tem indicação para estabelecimento de critério de alta do isolamento ou retorno ao trabalho. Nem exame de RT-PCR nasal e/ou sorologia (IgM, IgG) devem ser realizados. A conduta é contar 10 dias nos pacientes que não internam e 20 dias nos que internam como critério de alta do isolamento respiratório.

5 – PESSOAS DA CONVIVÊNCIA, COM CONTACTANTES PRÓXIMOS
As pessoas que tiveram contato de alto risco com paciente com Covid, também chamados de contactantes próximos, são as pessoas que tiveram contacto com pacientes com Covid sem uso de máscaras por mais de 15 minutos e a uma distância menor de 1,8 m, segundo o CDC, também devem ficar em isolamento respiratório, a princípio por 14 dias. O médico deve avaliar o tipo de contato, a ambientação de contágio, a possível carga viral dependente do tempo de exposição, o uso singular ou mútuo de barreiras de mucosas oronasais e a qualidade destas, para avaliar a necessidade de testes diagnósticos e acompanhamento.

Contactantes com PCR nasal colhido entre 5 e 7 dias depois do contato, com indivíduos que permanecem assintomáticos, os caracterizam como de risco reduzido de terem infecção ou de serem pouco infectantes a outras pessoas e poderão ser liberados antes dos 14 dias, de acordo com avaliação médica individual.

6 – SERÁ QUE COVID REINFECTA?
A reinfecção ou segunda infecção, entendendo ser a primeira um agravo sem cura completa e a outra uma nova infecção decorrido um tempo de vida saudável, são condições possíveis, mas extremamente raras. A maioria das pessoas que tiveram infecção assintomática ou a doença Covid provavelmente estará imune por, pelo menos, 10 meses, duração da pandemia até aqui. Estudos em andamento e estudos futuros responderão por quanto tempo o paciente ficará imune com mais precisão.

7 - COMO PREVENIR-SE?
As 6 regras “M” de ouro da prevenção da Covid devem ser praticadas todo dia, o dia todo, pois diminuem MUITO o risco de alguém ser infectado.
São elas:
1 – Máscara em uso permanente cobrindo nariz e boca;
2 – Mantenha distanciamento físico interpessoal de 1,5 m a 1,8 m;
3 – Mãos sempre higienizadas preferencialmente com água e sabão;
4 – Malograr atos de aglomeração humana;
5 – Manter-se em ambientes ventilados/arejados naturalmente;
6 – “Malocar-se” em casa, inclusive isolado do contato com familiares, caso apresente sintomas de resfriado ou gripe que possam aventar a hipótese de ser Covid.

Nesta última condição o isolamento respiratório é imediato. O paciente deve procurar realizar teleconsulta e providenciar a coleta de swab nasofaringeano para o SARS-CoV-2 (RT-PCR).
Lembre-se que o risco de infecção já ocorre na fase pré-sintomática – desde 2 dias antes do surgimento de sintomas - até os próximos 7 dias após o surgimento dos sintomas.

8 - O QUE VEM PELA FRENTE?
A pandemia está longe de acabar, mesmo que seja introduzida uma vacina segura. Tenha em mente que as farmacêuticas não dão conta de vacinar todo mundo em 1 semana, por exemplo. Imagine produzir 7,5 bilhões de primeiras doses da vacina nos habitantes do planeta pelos 20 laboratórios produtores com capacidade mensal de produzir 1 milhão de doses/mês. Seriam 240 milhões de doses por ano. Assim transcorreriam 62,5 anos para vacinar toda a população da Terra. Isto precisa ser gerenciado para melhorar a performance de produção e imunização.

Isto significa que pelos próximos 6 meses, pelo menos, o uso das 6 regras M serão úteis.

Sabemos que todo mundo está de saco cheio de ficar em casa. Mas, mantendo esta disciplina das máscaras, mãos e manutenção de distanciamento evitamos que você se torne um supercontaminador. Porque na segunda onda (ou agravo da primeira, como queiram), haverá um número considerável novos positivos assintomáticos com relação de contaminação 1 para 1, porém destes 5-10% contaminarão 15 a 20 pessoas cada, segundo relatório de estudo da OMS.

Paz profunda!

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